segunda-feira, 12 de julho de 2010

Carta à sociedade

Hoje eu passei por você e como sempre você nem percebeu. Eu mudei meu cabelo por você, aprendi a tocar violão, tô usando calça jeans. Ah, aquele emprego que você me indicou, eu consegui. Já fiz a matrícula na faculdade. É o que você me pediu, por que ainda me ignora? Tô na sua comunidade no Orkut, mas parece que isso não importa.

Você anda tão cruel. Tenho visto o que você faz com outras pessoas, parecidas comigo. Na verdade não sei por que procuro te agradar. Não vivo mais por sua causa. Eu queria trabalhar com terra, plantar e colher, pescar nos finais de semana, ter uma esposa, bastante filhos, mas isso não lhe agrada. Queria arrumar um modo de me separar de você. Você não gosta de ninguém, só usa algumas pessoas. Eu só queria falar isso. Acho que você precisa mudar radicalmente, caso contrário, muitos deixarão de te seguir e você não existirá mais. É isso.

Danillo Dal Seno

4 comentários:

Jefferson Sato disse...

Devo dizer que achei genial essa metáfora com a sociedade como se fosse um relacionamento amoroso. Muito bom mesmo!

Me sinto da mesma forma, frequentemente. O pior é que não dá para fugir muito.

Editorial D. Dal Seno disse...

Acho que não disse nada, na verdade. Mas é só o que dá pra falar da sociedade.

Nathália disse...

Danillo,
eu não vivi muito pra falar, mas eu já vi que não vale a pena seguir a sociedade se você não está feliz com isso. Afinal, viver pra ficar triste não tem graça, né?

Se você já sabe que quer pescar aos fins de semana e ter vários filhos, invista nisso! E se alguém vier falar alguma coisa, sua justificativa vai estar no seu sorriso, por viver como você quer :)

Editorial D. Dal Seno disse...

Que bonito Nathália! Acho que vou pescar amanhã e começar minha prole!